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1. A viagem durou 52 dias. Nessa época os navios eram movidos por motores a vapor. O Kasato Maru era um navio russo. Os motores eram bem lentos se comparados aos navios modernos. Outros aspectos também relacionados ao seu design indicam a condição de meio de transporte mais lento. Seria interessante comparar com uma foto de um navio moderno.
2. Não, não seria fácil. A viagem era muito demorada e cara. Era uma viagem única para a vida. Não havia como retornar, pois o imigrante não tinha dinheiro para isso. Todas as suas economias haviam sido consumidas na viagem para o Brasil.
3. Sim, atualmente há mais de 225 mil brasileiros no Japão. A viagem é muito mais curta e também bem mais barata do que foi para o imigrante japonês que veio ao Brasil. Ela dura no máximo dois dias e a viagem é feita de avião.
4. Alguns tendem a ficar, mas a maioria esmagadora não foi com a pretensão de ficar definitivamente, e isso não seria nada fácil. São, na verdade, trabalhadores temporários em empregos precários, que somente são compensadores aos brasileiros por causa da diferença cambial (do dólar em relação ao real). Quer dizer: vão voltar depois de certo tempo. Esse retorno é relativamente fácil, tanto que alguns conseguem vir passar férias no Brasil e depois voltam para mais um período de trabalho.
5. A distância geográfica é a mesma em termos de quilômetros, porém ela possui outro valor para o ser humano. E o valor da distância para nós é também algo que deve ser considerado na medida dessa distância. Nesse sentido pode ser dito que em função da mudança na distância tempo (2 dias em comparação com os 52 dias do Kasato Maru) o Japão ficou mais perto do Brasil. Aliás, pode ser dito que o mundo encolheu.
6. Sem dúvida, o fator fundamental foi o desenvolvimento das tecnologias de transporte. As novas possibilidades aumentaram significativamente a mobilidade humana. No caso, as viagens a grandes distâncias foram beneficiadas com a invenção da aviação. Viajar de avião ainda é algo para poucos, mas aquelas viagens a navio do passado eram bem mais caras. As pessoas vendiam todos os seus bens para pagar a passagem e chegavam nos países de destino sem nada, para recomeçar a vida.
Leitura e Análise de Imagem
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Trata-se da projeção Bertin (Jacques Bertin foi o grande cartógrafo do século XX). Ela é feita de modo a eliminar uma boa parte das áreas oceânicas. Ela é muito boa para representar as novas proximidades e a intensidade dos fluxos entre os continentes. Representa melhor o que é o mundo marcado pelo aumento da mobilidade do ser humano. Os principais fluxos são aqueles representados pelas setas mais largas. Por exemplo: México para os Estados Unidos; América Central para os EUA; Subcontinente indiano para o Golfo Pérsico. Isso foi possível visualizar instantaneamente sem a consulta da legenda. Os países em tons rosa mais forte são aqueles que de direção. Esse é um recurso bastante adequado para a cartografia, que sempre deve fazer uso de recursos visuais de entendimento generalizado, que não levam a entendimentos múltiplos. Em linguagem técnica: os símbolos devem ser monossêmicos, quer dizer: ter um único significado. Por outro lado, o recurso visual empregado para mostrar a participação de imigrantes no conjunto da população são as tonalidades do rosa. O mais escuro mostra mais intensidade do fenômeno. A variável utilizada para mostrar que um fluxo representa mais imigrantes que outro (maior quantidade) é a variável visual tamanho. No caso, ela está presente na largura das setas. Quanto mais larga a seta, maior o volume de imigrantes.
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1. Essas três localidades são: EUA, Golfo Pérsico e a Europa Ocidental.
2. Os principais fluxos de imigrantes partem de países pobres, de países que estão em boa medida no Hemisfério Sul. Mas, atualmente, acostumamo-nos a designar como Sul o que não é exatamente o Hemisfério Sul. O México está no Hemisfério Norte e os imigrantes mexicanos se dirigem mais ao Norte ainda. Além disso, pode-se afirmar que diferentemente do início do século XX, quando a Europa era a origem dos fluxos migratórios, agora ela é o destino. Constituída de países prósperos, recebe grandes fluxos migratórios da Europa do Leste (ex-países socialistas), mas também da África (dos vários países que foram colônias), da América do Sul etc. Dito de outra maneira: há um fluxo dos países pobres (“subdesenvolvidos”) para os países ricos.
3. Que os EUA, e alguns países do Golfo Pérsico, possuem uma participação importante de imigrantes em suas populações. Em especial, imigração recente. São duas localidades de grande dinamismo econômico e que precisam de imigrantes para suprir carências locais de mão de obra.
LIÇÃO DE CASA
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1. Magreb → França = mais ou menos 3 milhões (da África para a Europa – a maioria desses migrantes vai da região do Magreb para a França).
2. Antigo império das Índias (Índia, Paquistão, Bangladesh) → Grã-Bretanha = mais ou
menos 2 milhões (a maioria desse fluxo vai para a Inglaterra).
3. Turquia → Alemanha = do Oriente próximo para a Europa o fluxo é mais ou menos 3 milhões (no interior desse fluxo, da Turquia para a Alemanha temos mais ou menos
500 mil).
4. Europa do Leste → Europa Ocidental = mais ou menos 3 milhões.
5. Índia – Paquistão → países petroleiros do Oriente Médio = 7,5 milhões.
6. América do Sul e Central → EUA = 8,5 milhões.
Leitura e análise de imagens
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1. Em relação ao passado, o fluxo de imigrantes no mundo ampliou-se. O exemplo maior é o dos EUA, que no passado já foi destino de muitos imigrantes, porém, agora, após uma queda em meados do século XX, houve uma enorme aceleração, cuja maior responsabilidade é da entrada de imigrantes do México para os EUA, assim como da América Central.
2. As linhas históricas de fluxos de imigrantes em relação aos EUA e à Europa Ocidental revelam uma grande aceleração dos fluxos imigratórios no mundo, embora haja ainda uma grande dificuldade para o imigrante no mundo contemporâneo, diferentemente da facilidade com que as mercadorias circulam nesse mesmo mundo.
3. O gráfico mostra que os fluxos estavam diminuindo até a altura da Segunda Guerra nos EUA e na Europa, no entanto após esse período essa situação se transforma radicalmente. Isso justamente associado ao desenvolvimento das tecnologias de transporte, assim como as novas necessidades de trabalhadores na Europa e nos EUA provocadas pelas transformações econômicas e por mudanças demográficas.
4. Para os EUA os dois principais fluxos vêm dos seus vizinhos ao Sul, em especial do México, assim como da América Central. Para a Europa Ocidental vem da Europa do Leste e do Oriente Médio.
5. Tendo em conta esses dois casos é possível notar uma inversão. A Argentina como destino é uma realidade até o começo do século XX, posteriormente haverá uma queda importante e atualmente os argentinos compõem em quantidades relativamente importantes os fluxos de imigrantes que saem da América do Sul para a América do Norte e para a Europa Ocidental. No caso da Europa Ocidental, de área emissora no começo do século XX, agora é um dos principais destinos de imigrantes de todas as partes do mundo.
6. Certamente, a participação de imigrantes no total da população vai aumentar, visto o tamanho dos fluxos de imigrantes que o país recebe. Em especial de hispanos americanos, que já formam nos EUA uma comunidade de grande peso, e quase uma segunda língua.
PESQUISA EM GRUPO
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Do Magreb para a Europa Ocidental constata-se a existência de 3 milhões de imigrantes no final do século XX. Eles são dessa área do norte da África (o Magreb é constituído por Marrocos, Saara Ocidental, Tunísia e Argélia, países com fortes ligações com a França, em razão, por exemplo, de situação anterior de colonizados, como no caso da Argélia) e se dirigiram à França, onde marcam muita presença em especial no sul daquele país. Os países de onde saem os imigrantes, nesse caso, são países que acumulam muitos problemas econômicos e políticos. A organização dos imigrantes do Magreb na França acaba favorecendo a atração de vários outros, mesmo porque o país europeu não pode dispensar o papel econômico que esses imigrantes desempenham. A imigração à França (e também um pouco em direção à Itália) de habitantes do Magreb vem desde meados do século XX e, apesar das severas restrições impostas pelos europeus nos anos 1990, essa corrente migratória manteve sua intensidade mesmo na clandestinidade. Um fenômeno semelhante ocorre no fluxo migratório México → EUA. Do México para os EUA são 10,3 milhões de imigrantes, muitos dos quais não são legalizados, pois atravessam a fronteira clandestinamente. Eles não possuem passaporte, o que lhes dá no interior dos EUA uma condição de vida bastante problemática. Os dois exemplos citados tratam de processo migratório favorecido pela proximidade geográfica, é um fenômeno de vizinhança. No entanto, há outras correntes migratórias que implicam grande deslocamento do migrante, como no caso de asiáticos em direção à América do Norte, cujo fluxo é de cerca de 5 milhões de migrantes. Isso somente é possível em vista da“diminuição das distâncias geográficas”produzida pelo desenvolvimento dos meios de transportes, pelo aumento das velocidades. A mesma situação pode ser aplicada à imigração de brasileiros à Europa e ao Japão (exemplo tratado anteriormente). Esse é um breve modelo do tipo de arrazoado que se pode fazer a respeito dos fluxos migratórios.
LIÇÃO DE CASA
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1. Espera-se que essa redação individual seja a oportunidade para a realização de uma síntese que utilize os vários elementos que foram trabalhados na Situação de Aprendizagem. A ideia é que o estudante não repita simplesmente números e informações, mas faça análises, dê opiniões, tire conclusões. São dois temas e é importante fazer o aluno focar em um deles. Caso ele escolha o primeiro tema (A mudança das distâncias geográficas), deverá tratar do aumento da mobilidade do seres humanos, das informações e das mercadorias. Deverá mostrar consciência sobre os novos meios que estruturam o espaço alterando as distâncias, quer dizer: alterando o valor das distâncias para os grupos humanos do presente. O que já foi muito longe pode estar bem mais perto. No processo de argumentação o estudante deve ser orientado para o uso adequado de informações que ele pode obter nos materiais fornecidos na própria Situação de Aprendizagem (mapas, gráficos, quadros) quanto pode obtê-las em outros materiais (como em seus livros didáticos). Se escolher o segundo tema, os procedimentos serão os mesmos, mas o foco deve ser dirigido às motivações dos processos migratórios, em especial aqueles associados às novas facilidades para imigrar e as condições econômicas dos países de origem, assim como as necessidades dos países de destino.
2. Os imigrantes do presente têm maiores facilidades, pois os meios de transporte são mais eficientes e mais baratos. Eles podem migrar para países mais longínquos e trabalhar num país distante do seu e retornar para passar férias. Desse modo, em muitas situações, pode-se considerar que houve uma expansão do mercado de trabalho, que agora ultrapassa fronteiras nacionais. Isso é bastante comum no interior da Europa Ocidental. O imigrante contemporâneo, por essa razão, não perde definitivamente o contato com o país de origem, algo bastante comum com os imigrantes do começo do século XX, que não tiveram a oportunidade de regressar às localidades em que nasceram.
3. Os imigrantes podem ser considerados em certas situações como elementos perturbadores do mercado de trabalho local, pois estariam “roubando” postos de trabalho das populações locais. Esse tipo de sentimento é mais comum nos momentos de crise, tal como este que o mundo vive agora. Com o aumento do desemprego na Europa, no Japão e nos EUA, os imigrantes serão as primeiras vítimas. Por outro lado, por terem, em muitos casos, comportamentos culturais distintos daqueles das comunidades de destino, eles terminam tendo dificuldades de inserção social nos países para onde imigraram. Podem ser alvos de preconceito e racismo. Por vezes, migram mesmo na ilegalidade e as dificuldades que deverão ser enfrentadas vão se ampliar. No mundo contemporâneo as facilidades para a imigração são maiores, mas admitir a imigração como natural e como algo não traumático está ainda muito longe de ocorrer. O mesmo não se dá com os bens que circulam no mundo.
4. O autor Milton Santos mostra-se cético em relação às facilidades geradas pelo aumento das velocidades. Acha um delírio nos referirmos ao encurtamento da distâncias (com o tempo suprimindo o espaço), visto que essa realidade apenas
beneficia minorias. Não são muitos os habitantes do mundo que estão usufruindo dessas condições e nesse sentido haveria desigualdade no acesso à nova mobilidade humana. Certamente desigualdade há, mas não são tão poucos os que se beneficiam direta ou indiretamente dessa nova mobilidade.
5. A migração clandestina aumenta, porque embora os países procurados não tenham disposição social para a legalização dos imigrantes (não querem lhes dar cidadania e todos os direitos decorrentes, o que implica na aplicação de recursos públicos), do ponto de vista econômico, acaba sendo vantajosa a exploração do trabalho desses imigrantes. Em razão de sua condição de ilegal terminam aceitando baixos salários e jornadas desumanas. Apesar disso, muitos admitem passar temporadas nessas condições e depois planejam voltar a seus países de origem com novos recursos.
6. Alternativa b. A imigração se acelerou mais devido ao aumento da mobilidade humana, às novas condições para essa mobilidade, do que propriamente pela maior tolerância ao imigrante como as outras alternativas sugerem. Embora seja possíve prever que essa tolerância vai terminar se impondo, visto que o processo de imigração permanecerá e as sociedades nacionais vão terminar se habituando, mesmo que para tal ainda assistirmos a uma fase de ocorrência de conflitos.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM A GLOBALIZAÇÃO E AS REDES GEOGRÁFICAS
Leitura e análise de Imagem
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1. Trata-se de um mapa que pode ser designado como uma representação ordenada. Ele faz uso da variável visual valor. Nesse caso as diferentes tonalidades do marrom. Quanto mais escura a tonalidade maior a presença (a participação) do fenômeno representado. Ao lado do mapa aparece um gráfico quantitativo que faz uso da variável visual tamanho (quanto maior o círculo, maiores volumes quantitativos do fenômeno representado).
2. Sim, é possível. Imediatamente nossos olhos vão nos dizer que onde o marrom é mais intenso o fenômeno é mais intenso. Existe (e deve existir) uma correspondência direta entre a variável visual valor e o fenômeno representado. É fácil perceber qu países como EUA, Canadá, Japão, Austrália e alguns da Europa Ocidental têm uma participação grande do fenômeno representado.
3. No continente africano, Angola (mas, nesse continente são vários os países); no continente sul-americano, Paraguai; na Ásia Bangladesh etc.
4. Sim, trata-se de um mapa para ver. Ele forma uma imagem única da geografia do fenômeno representado. Nota-se claramente onde estão os países do mundo que tê maior participação de internautas no conjunto da população. E onde essa participação é pequena. Percebe-se a grande desigualdade e a lógica da distribuição do fenômeno, que também tem um padrão que diferencia o Sul do Norte.
5. Sim, é possível afirmar que o mundo está mais presente em cada lugar. Os usuários da internet (indivíduos e instituições) superam por meio desse meio de comunicação as fronteiras, as barreiras das escalas geográficas mais restritas. Desse modo, integram-se grupos humanos e negócios numa escala mais ampla, na escala global. A despeito dessa possibilidade isso se dá de modo desigual em termos geográficos, como o mapa dos usuários demonstra.
6. Não é novidade. Já foi apresentado noutros cadernos e discutido no volume 1 desta série. Trata-se de uma anamorfose, uma forma de representação que tem a finalidade de realçar nas próprias medidas do mapa outros fenômenos. Assim, não é um mapa baseado nas medidas do terreno e sim baseado nas medidas dos fenômenos que quer representar.
7. O continente africano e a América do Sul estão com suas extensões diminuídas de forma bem evidente.
8. Os EUA (na América do Norte) estão com sua extensão alterada em relação às medidas do terreno para bem mais, do mesmo modo que o Japão e vários países da Europa Ocidental.
9. O mapa em questão está representando o número de computadores pessoais por país. Num país como os Estados Unidos esse volume é muito grande e isso está expresso no mapa cuja extensão foi calculada em relação a esse número de computadores. Inversamente, se no continente africano esse número é bem mais baixo, isso vai diminuir a extensão desse bloco continental no mapa.
10. Diferentemente de uma anamorfose, os mapas que fazem uso da métrica territorial representam, na medida do possível (visto que há as deformações ocasionadas pelas projeções), os tamanhos dos terrenos dos blocos continentais, por exemplo. São mapas adequados para a localização, algo a que não se presta uma anamorfose.
11. A métrica empregada foi o número de computadores pessoais por país. Assim, as extensões no mapa foram calculadas.
12. No mapa ordenado (Internautas, 2005, acompanhado do gráfico Internautas, 1991- 2006) apresentado anteriormente a situação dos EUA encontra-se na faixa de 87,7 internautas em cada 100 habitantes, enquanto a África continental tem a maioria dos países com 0,19 internautas num grupo de 100 habitantes. Não chega a 1 computador.
13. Na anamorfose os EUA ficam imensos enquanto o continente quase desaparece.
14. Como foi dito, ele quase desaparece, o que indica a baixa conexão daquele continente, de seus povos, de seus indivíduos com um mundo mais amplo, com outras escalas geográficas.
15. A situação é melhor que na África, obviamente, e isso é bem visual. Mas a diminuição do tamanho convencional do continente indica um nível de conexão bem abaixo de outras situações, como o Japão, por exemplo.
16. Tanto na anamorfose quanto na representação ordenada o Brasil aparece numa situação intermediária. Tanto que na anamorfose ele não é tão diminuído. Mas, ainda assim, é uma situação de baixa conexão.
17. Sim, é possível. Visualmente a anamorfose nos dá fortemente essa imagem de um Hemisfério Norte bem alargado, com um volume elevado de computadores pessoais por países. E justamente nessa posição geográfica encontra-se a maioria dos países desenvolvidos, tais como aqueles da Europa Ocidental, os EUA e o Japão.
18. A internet é uma rede baseada na informática que permite a circulação e o armazenamento de informação digitalizada de instituições e indivíduos. Seu uso vai desde o profissional até o relacionamento pessoal. Por seu intermédio, pode se conectar qualquer um que tenha acesso a um computador e aos sinais de transmissão. Atualmente, conta-se em centenas de milhões os internautas do mundo. É um meio de transação mundial, que supera as fronteiras nacionais, que na internet não fazem sentido. Um breve roteiro complementar de questões vai ajudá-lo a sedimenta o conceito de rede.
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1. A figura visual de uma rede é de fios trançados em nós. Dito de outro modo: linhas e pontos de conexão (nós).
2. Sim, isso é nítido. As redes de transportes urbanos oferecem bons exemplos. No caso
dos ônibus, temos as linhas de ônibus com vários pontos de paradas e pontos finais (estações na verdade). A esses pontos finais podem estar articuladas outras linhas de
ônibus que têm diversos outros pontos. No final, a ideia é que essas redes cubram boa parte do território de uma cidade. O mesmo pode ser dito das redes ferroviárias (metrô, trens de superfície etc.)
3. Sem dúvida. Embora as ligações e as linhas sejam múltiplas quanto às suas tecnologias (rede telefônica, rádio e redes de cabo de televisão), podemos imaginar linhas e pontos que são áreas comuns, cujo acesso é geral. É, claramente, uma rede.
LIÇÃO DE CASA
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1. A internet é um meio de informação (transmite informações) e de comunicação (áreas de interação, de troca de mensagens etc). A circulação das mensagens se dá instantaneamente. Desse modo, uma mensagem emitida agora no Brasil será acessada quase ao mesmo tempo no Japão. Isso muda de forma revolucionária a velocidade das relações humanas, algo inimaginável no começo do século XX, por exemplo.
2. Na internet circulam informações. Mas dizer isso é muito pouco. Na verdade seria melhor se referir a materiais digitais. Um livro pode ser digitalizado (transformado em informação eletrônica) e circular na internet. Do mesmo modo imagens e sons. Quer dizer: uma gama enorme de informações é a matéria-prima essencial da internet.
3. São, sem dúvida, importantes. Estão mudando a face da humanidade. Não apenas porque têm valor econômico (não há hipótese de empresas de qualquer porte ficarem distante da rede, para divulgar suas atividades e até comercializar seus produtos e serviços), mas porque têm mudado a face da economia. Muitos bens que antes só eram acessíveis por transação econômica, atualmente são acessíveis por “compartilhamento” de materiais digitais, uma transação não econômica. Muitas mudanças em andamento estão por ser entendidas.
4. Não resta dúvida. Muito do poderio e desenvolvimento econômico passa pelo acesso e pela capacidade de expandir o acesso à rede a públicos mais amplos. Mas, também, muito do poderio que pode fazer frente às forças econômicas tradicionais se organizam e se fortalecem na rede mundial de computadores.
5. Está claro que os benefícios às relações humanas trazidos pela diminuição das distâncias se concretizam com o acesso aos meios de comunicação e transportes contemporâneos. E isso ainda está longe de estar democratizado e, certamente, um “mundo melhor” passa por essa democratização. E não há dúvida de que a internet é um dos ingredientes desse processo de encurtamento das distâncias e do horizonte interativo mais digno para o ser humano.
6. Nessa exposição necessariamente pessoal do estudante espera-se (e para isso ele deve ser orientado – antes ou depois conforme a avaliação do professor) que ele consig integrar o conjunto de informações e raciocínios desenvolvidos na Situação de Aprendizagem para aumentar a sua percepção de um mundo cujas relações são cada vez mais interescalares. Quer dizer: nossas realidades locais estão influenciadas e articuladas a relações de outras escalas, inclusive a mundial. Nunca o mundo esteve tão presente em nossas vidas. O importante é estimular o aluno a usar recursos próprios que se manifestem em seu cotidiano na argumentação.
PESQUISA EM GRUPO
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1. O objetivo é que eles chegarr ao termo multinacional, largamente utilizado, e se deparem com um concorrente forte atualmente: transnacional. Agora as multinacionais estão sendochamadas de corporações transnacionais.
2. Empresa não é muito diferente de corporação. Esse último termo está na moda. Agora se fala em mundo corporativo. Talvez, possa se admitir que corporação revele empresário, mas há uma corporação de acionistas. Por sua vez, os prefixos multi e trans realmente têm significados diferentes: multinacional → aquilo que está em vários países; transnacional → aquilo cuja natureza está acima dos países.
3. Tanto empresa multinacional quanto corporação transnacional são termos que expressam algo que é mais poderoso que uma empresa nacional. Essa última possui uma área de atuação menor, mais restrita, um mercado único, que se for pobre, por exemplo, vai influenciar os destinos da empresa nacional.
Leitura e Análise de Texto
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1. Elas aparecem como agentes de grande importância na estruturação desse processo de criação e ampliação da escala global, que se convencionou denominar globalização. Aparecem, inclusive, como criadoras de configurações espaciais em rede geográfica, que são malhas globais, na verdade são os espaços da globalização.
2. Não são os espaços nacionais em si. São pontos de redes geográficas que se organizam em escala mundial, que se encontram nos territórios nacionais, mas que se relacionam mais intensamente com outros pontos da rede do que com os territórios nos quais estão inseridos.
Leitura e Análise de Texto
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O geógrafo Milton Santos está mencionando a importância que tem para uma corporação transnacional a velocidade da circulação de informação e de bens. Afinal, elas atuam na escala mundial, e para elas o mundo é (e precisa ser) pequeno, com as distâncias encurtadas. Para atingir tal objetivo essas empresas atuam para preparar os pontos de rede com o máximo de tecnologia para acelerar as relações. Atuam junto aos Estados nacionais e esses, com o objetivo de atrair essas empresas, terminam investindo nessa instrumentalização dos pontos de rede nos territórios nacionais.
Leitura e Análise de Imagem
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1. A seta indica os fluxos e suas direções.
2. Como as setas têm cores diferentes, elas terminam indicando fluxos de tipos diferentes. A relação é direta: cores diferentes → fluxos diferentes.
3. Esse mapa pode ser caracterizado como um mapa qualitativo de fluxos, isso porque ele representa fluxos diferenciados (de objetos diferentes). Mapas que diferenciam os fenômenos representados são mapas qualitativos.
4. Estamos diante de uma rede geográfica de uma empresa transnacional que atua no ramo automobilístico. Distribuído em sua rede encontra-se o seu sistema produtivo que se organiza em vários países do Sudeste Asiático. Cada ponto de rede é especializado, e nenhum constrói os automóveis integralmente. Na verdade, os pontos se complementam, embora eles se encontrem em diversos países.
5. Justamente porque há essa evidente complementaridade entre os pontos. As peças da indústria que circulam de um país a outro podem aparecer nas estatísticas, como exportação e importação desses países, mas na verdade trata-se de uma circulação no interior da rede da empresa, que por vezes não influencia as atividades econômicas comuns desses países.
6. A palavra montadora é uma indicadora das estratégias produtivas de várias corporações industriais transnacionais. Organizadas em rede, cujos pontos são especializados, em algum momento o produto final deve aparecer, deve ser montado. Um dos pontos da rede especializa-se na montagem reunindo os componentes que vêm de vários pontos da rede geográfica.
7. A filial montadora, o ponto de rede responsável pela montagem, complementa o processo produtivo. Nem sempre a produção das peças se dá apenas por unidades da empresa automobilística. Muitos dos elementos são terceirizados. No Brasil existem de fato muitas empresas automobilísticas que aqui instalaram unidades responsáveis pela montagem de componentes que vêm de várias partes de sua rede e também de produtores terceiros.
8. Fica bem claro. Ela é uma transnacional, quer dizer que usa um conjunto de Estados nacionais para instalar unidades de sua rede geográfica, esse seu verdadeiro espaço.
Qual a nacionalidade de uma empresa transnacional cuja sede geográfica é sua rede espacial? De fato, muito dessas empresas já têm interesses e ações que ultrapassam qualquer identidade de tipo nacional. São empresas transnacionais.
PESQUISA EM GRUPO
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1. O objetivo é que eles chegarr ao termo multinacional, largamente utilizado, e se deparem com um concorrente forte atualmente: transnacional. Agora as multinacionais estão sendochamadas de corporações transnacionais.
2. Empresa não é muito diferente de corporação. Esse último termo está na moda. Agora se fala em mundo corporativo. Talvez, possa se admitir que corporação revele empresário, mas há uma corporação de acionistas. Por sua vez, os prefixos multi e trans realmente têm significados diferentes: multinacional → aquilo que está em vários países; transnacional → aquilo cuja natureza está acima dos países.
3. Tanto empresa multinacional quanto corporação transnacional são termos que expressam algo que é mais poderoso que uma empresa nacional. Essa última possui uma área de atuação menor, mais restrita, um mercado único, que se for pobre, por exemplo, vai influenciar os destinos da empresa nacional.
Leitura e Análise de Texto
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1. Elas aparecem como agentes de grande importância na estruturação desse processo de criação e ampliação da escala global, que se convencionou denominar globalização. Aparecem, inclusive, como criadoras de configurações espaciais em rede geográfica, que são malhas globais, na verdade são os espaços da globalização.
2. Não são os espaços nacionais em si. São pontos de redes geográficas que se organizam em escala mundial, que se encontram nos territórios nacionais, mas que se relacionam mais intensamente com outros pontos da rede do que com os territórios nos quais estão inseridos.
Leitura e Análise de Texto
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O geógrafo Milton Santos está mencionando a importância que tem para uma corporação transnacional a velocidade da circulação de informação e de bens. Afinal, elas atuam na escala mundial, e para elas o mundo é (e precisa ser) pequeno, com as distâncias encurtadas. Para atingir tal objetivo essas empresas atuam para preparar os pontos de rede com o máximo de tecnologia para acelerar as relações. Atuam junto aos Estados nacionais e esses, com o objetivo de atrair essas empresas, terminam investindo nessa instrumentalização dos pontos de rede nos territórios nacionais.
Leitura e Análise de Imagem
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1. A seta indica os fluxos e suas direções.
2. Como as setas têm cores diferentes, elas terminam indicando fluxos de tipos diferentes. A relação é direta: cores diferentes → fluxos diferentes.
3. Esse mapa pode ser caracterizado como um mapa qualitativo de fluxos, isso porque ele representa fluxos diferenciados (de objetos diferentes). Mapas que diferenciam os fenômenos representados são mapas qualitativos.
4. Estamos diante de uma rede geográfica de uma empresa transnacional que atua no ramo automobilístico. Distribuído em sua rede encontra-se o seu sistema produtivo que se organiza em vários países do Sudeste Asiático. Cada ponto de rede é especializado, e nenhum constrói os automóveis integralmente. Na verdade, os pontos se complementam, embora eles se encontrem em diversos países.
5. Justamente porque há essa evidente complementaridade entre os pontos. As peças da indústria que circulam de um país a outro podem aparecer nas estatísticas, como exportação e importação desses países, mas na verdade trata-se de uma circulação no interior da rede da empresa, que por vezes não influencia as atividades econômicas comuns desses países.
6. A palavra montadora é uma indicadora das estratégias produtivas de várias corporações industriais transnacionais. Organizadas em rede, cujos pontos são especializados, em algum momento o produto final deve aparecer, deve ser montado. Um dos pontos da rede especializa-se na montagem reunindo os componentes que vêm de vários pontos da rede geográfica.
7. A filial montadora, o ponto de rede responsável pela montagem, complementa o processo produtivo. Nem sempre a produção das peças se dá apenas por unidades da empresa automobilística. Muitos dos elementos são terceirizados. No Brasil existem de fato muitas empresas automobilísticas que aqui instalaram unidades responsáveis pela montagem de componentes que vêm de várias partes de sua rede e também de produtores terceiros.
8. Fica bem claro. Ela é uma transnacional, quer dizer que usa um conjunto de Estados nacionais para instalar unidades de sua rede geográfica, esse seu verdadeiro espaço.
Qual a nacionalidade de uma empresa transnacional cuja sede geográfica é sua rede espacial? De fato, muito dessas empresas já têm interesses e ações que ultrapassam qualquer identidade de tipo nacional. São empresas transnacionais.
PESQUISA EM GRUPO
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Essa pesquisa apresenta um grau de dificuldade médio. A primeira a ser superada é a de ter acesso à internet. Conquistado esse acesso, e o no caso dessa pesquisa proposta não há como substituir essa fonte, o próximo passo é chegar a um site adequado. A sugestão é listar os nomes das grandes transnacionais automobilísticas. Não são muitas e todos os alunos devem conhecê-las, pois na pior das hipóteses conhecem marcas (ou modelos) de automóveis. Depois se deve escolher uma empresa e procurar seu site, algo bem fácil procurando-se em qualquer dos buscadores. Coloca-se o nome e o caminho para o site se abrirá. Navegando no site não será difícil desvendar a estrutura geográfica da empresa. Em primeiro lugar é preciso ficar atento às informações que mostram em quais países há unidades da empresa; em segundo lugar, que atividades essas unidades desenvolvem (ficar atento, especialmente, à distinção entre produtoras de peças e montagem); em terceiro lugar informações complementares (se houver), tais como volumes produzidos, valores etc. Com isso já será possível produzir o mapa. O valor dessa atividade está em exercitar a construção autônoma dos conhecimentos. Os alunos vão recorrer a uma fonte que é definitiva, embora não única e nem substituta de outras. Vão levantar e organizar informações. Vão organizá-las e dar sentido por meio de uma linguagem que permita a visualização espacial da estrutura de uma empresa, de uma instituição construtora da escala mundial. Mesmo que os resultados não sejam totalmente precisos, que haja defeitos de confecção no caminho, o mais importante e valioso é a criação dessa “narrativa visual”. Chegando a algo próprio será uma conquista mais importante do que reproduções corretas de informações padronizadas e estereotipadas que circulam na Geografia escolar.
Leitura e Análise de Imagem
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1. Um condomínio fechado residencial é uma forma coletiva de residência (várias casas ou apartamentos) que se instala num terreno protegido, cercado e vigiado (o fechado tão valorizado do seu nome). Desse modo fica isolado geograficamente do seu entorno. Os moradores desse tipo de residência em geral utilizam automóveis para se locomover, o que os isola ainda mais do bairro onde está instalado o condomínio. Para seu abastecimento frequentam áreas igualmente fechadas. Assim, é bom guardar essa imagem de isolamento, de afastamento dos bairros onde estão localizados.
2. Um shopping center pode ser designado como um condomínio fechado comercial. É também uma área coletiva, com vários estabelecimentos comerciais e de serviços que se instala num terreno protegido, cercado e vigiado. Também se isola espacialmente do seu entorno. Não há shopping que não possua imensos estacionamentos, pois seus principais frequentadores são automobilistas que não andam de transportes coletivos. Do mesmo modo, há aqui a imagem de isolamento, de afastamento dos bairros onde estão localizados (uma parte dos shoppings procura se localizar junto a vias expressas, mas nem sempre isso se dá).
3. Na escala de uma cidade, no seu interior, podem ser encontradas redes geográficas de fato. Os núcleos formados por condomínios fechados e por shoppings centers (também centros empresariais diversos) que encontram na área densa, mas também nas franjas das cidades, em suas zonas periféricas, são os pontos de rede. As linhas são as vias cada vez mais preparadas para o uso automobilístico intenso. Uma cidade como São Paulo tem de fato redes geográficas cortando seu espaço.
Leitura e Análise de Texto
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1. Certamente, uma característica das redes geográficas, tanto uma rede geográfica na escala mundial como a de uma corporação transnacional, quanto uma rede geográfica no interior de uma cidade, é a de possuírem características de “negação” dos territórios do entorno. São fechadas, se relacionam o mínimo necessário com as localidades onde estão instaladas.
2. Os dados mostram o volume de circulação econômica no interior das redes das corporações, e qualquer pesquisa mostraria algo semelhante na circulação econômica no interior de uma rede geográfica no interior de uma cidade como São Paulo, por exemplo.
3. Não significa, por vezes até o contrário. As redes no interior das cidades costumam desagregar e enfraquecer o comércio de rua e também é comum a desvalorização dos
imóveis em razão do aumento do trânsito, do volume grande de áreas de estacionamento etc. Do mesmo modo, uma rede de corporação não tem automaticamente efeitos multiplicadores nas localidades onde se situam. O dado econômico mostra que não é nessas localidades que ela vai realizar grandes investimentos.
4. Faz sentido. Por vezes nega esses territórios (dos bairros, dos países onde estão situadas) e se transforma de fato num concorrente, como no caso citado do shopping.
LIÇÃO DE CASA
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1. Organizam-se em redes mundiais, isso está claro. Seus números econômicos comprovam essa ação. São montantes impossíveis de se obter na escala nacional. São valores extraídos do mundo inteiro. A sua força vai a ponto de ser capaz de influenciar governos que facilitam sua ação no interior de países.
2. Elas são atores muito importantes na cena internacional e na cena nacional de vários países. Por exemplo: muitos governos nacionais implementam políticas econômicas
visando atrair os capitais das corporações transnacionais para seus territórios. Fazem isso promovendo isenções fiscais (não cobram impostos), oferecendo terrenos, ajudas de infraestrutura (energia mais barata, por exemplo). Desse modo, uma corporaçã transnacional ao se instalar num país passa a ter muito poder de influência sobre os governos. O volume de pessoas empregadas nas empresas transnacionais é bem grande (54 milhões de pessoas) e corresponde à população de países importantes. Considerando 0que as transnacionais são aquelas que utilizam muita tecnologia em seus processos produtivos, e que essas tecnologias dispensam mão de obra, dá para se ter ideia do que são os volumes de produção e serviços gerados diretamente pelas corporações.
3. Alternativa c. O Brasil tem promovido, mais propriamente os Estados, uma série depolíticas de incentivos fiscais para atrair corporações transnacionais de vários ramos industriais. Um caso marcante é o das automobilísticas que se espalharam por Estados sem tradição industrial, com Goiás, por exemplo. Assim, ao contrário das alternativas que indicam dificuldades para ações das corporações transnacionais no Brasil, o país é um bom espaço para a ação dessas instituições.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 OS GRANDES FLUXOS DO COMÉRCIO MUNDIAL E A CONSTRUÇÃO DE UMA MALHA GLOBAL
Para começo de conversa
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a) Os fluxos de bens materiais e imateriais (mercadorias, pessoas e informações) no mundo contemporâneo circulam em maior intensidade, com muito mais velocidade e por isso alcançam distâncias bem maiores (na verdade encurtando distâncias). Essa situação pode ser designada como de aceleração de fluxos.
b) Alguns dos serviços modernos nas diversas escalas geográficas da vida (local, regional e mundial) se organizam em redes técnicas. Uma rede telefônica é um conjunto de linhas e estações de comutação (os pontos) que se distribui no mundo inteiro. Do mesmo modo, uma rede de abastecimento de água numa cidade, com as áreas de mananciais (estoque de água), as zonas de tratamento, os depósitos regionais (grandes caixas d’água), que são os pontos, e toda a rede de encanamentos (as linhas) por onde a água é bombeada.
c) A mesma lógica de uma rede técnica, porém espaços que se prestam à vida humana numa outra escala. São grupos humanos de moradores, são grandes atividades comerciais, grandes corporações transnacionais que constroem seus espaços em rede, percorrendo territórios com os quais estabelecem relações selecionadas, por vezes negando-os.
d) As corporações transnacionais são grandes conglomerados econômicos que atuam na escala mundial. No mundo contemporâneo adquiriram uma força descomunal. Sua atuação se estrutura em modalidades de espaços, que são verdadeiras redes geográficas. É razoável admitir que essas empresas não possuem mais nacionalidade alguma, que elas transcenderam os espaços nacionais.
PESQUISA EM GRUPO
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Sobre o mapa: são seis categorias de fluxos: 1. 533 bilhões; 2. 400 bilhões; 3. 300 bilhões; 4. 200 bilhões; 5. 100 bilhões; 6. 50 milhões. A proposta é que se chegue inicialmente à largura de seta de cada uma dessas categorias. É importante ressaltar que todas as setas devem ter a mesma cor. Isso porque elas estão indicando fluxos comerciais e não fluxos diferentes entre si.
533 bilhões → 1 cm
400 bilhões → 0,7 cm
300 bilhões → 0,5 cm
200 bilhões → 0,4 cm
100 bilhões → 0,2 cm
50 bilhões → 0,1 cm
Posteriormente nas localidades citadas deve se buscar um centro. Por exemplo: no caso da América do Sul e Central as setas devem ser direcionadas (e sair) para a altura da Venezuela. O ideal é fazer com lápis um círculo com traço leve no centro da localidade mencionada (da realizarão e nem é preciso destacar o quanto esse processo integral é produtivo na construção do conhecimento.
f) Espera-se que os estudantes sintam a intensidade dos fluxos comerciais que percorrem a escala mundial. E que notem Europa Ocidental, do Oriente Médio) e fazer com que todos os fluxos indicados na tabela cheguem a esses círculos. Mais uma vez, vale ressaltar que o resultado final não precisa ser do ponto de vista estético um primor. Atualmente um mapa como esse se faz com softwares sofisticados e os alunos farão à mão. Contudo, essa experiência é de grande relevância. Enquadra-se no conjunto das capacitações fundamentais, pois sem dúvida o domínio das linguagens visuais aí se enquadra. Na sequência os estudantes vão fazer análises a respeito do que podem ver na construção visual que as desigualdades nesses fluxos, não apenas no número de fluxos (que são mais numerosos entre Europa, América do Norte e Ásia), mas também no volume comercializado, algo notado na largura das setas. Que se imprima em suas retinas a geografia mundial desses fluxos.
2. Os fluxos mais importantes não são necessariamente os que percorrem menores distâncias. O maior dos fluxos – da Ásia para a América do Norte – comprova isso. Esse fato mostra o quanto as distâncias diminuíram, o quanto as diversas realidades se aproximaram. Vale notar, também, que a visão das distâncias anteriores era deformada. Estávamos habituados a ver fluxos para a América do Norte em mapas de projeções centradas no Equador; com isso, na representação os fluxos deveriam percorrer vastos oceanos. Com a projeção Buckminster Fuller a Ásia é bem mais próxima da América do Norte.
3. Não são esses os fluxos dominantes (países desenvolvidos → países subdesenvolvidos). Os dominantes são aqueles entre países desenvolvidos → países desenvolvidos, por exemplo: Europa Ocidental e América do Norte.
4. Destacam-se na Ásia o Japão, grande potência industrial com produtos de boa qualidade com aportes significativos de tecnologia, e a China, com sua maciça produção que deriva de transformações econômicas no regime socioeconômico daquele país, com uso impressionante de mão de obra barata, o que torna seus produtos muito competitivos no mundo. Além disso, outras economias poderosas estão se desenvolvendo, como no caso da Coreia do Sul. Esse extremo oriente da Ásia está se transformando no maior centro industrial do planeta.
Leitura e Análise de Imagem
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1. Um condomínio fechado residencial é uma forma coletiva de residência (várias casas ou apartamentos) que se instala num terreno protegido, cercado e vigiado (o fechado tão valorizado do seu nome). Desse modo fica isolado geograficamente do seu entorno. Os moradores desse tipo de residência em geral utilizam automóveis para se locomover, o que os isola ainda mais do bairro onde está instalado o condomínio. Para seu abastecimento frequentam áreas igualmente fechadas. Assim, é bom guardar essa imagem de isolamento, de afastamento dos bairros onde estão localizados.
2. Um shopping center pode ser designado como um condomínio fechado comercial. É também uma área coletiva, com vários estabelecimentos comerciais e de serviços que se instala num terreno protegido, cercado e vigiado. Também se isola espacialmente do seu entorno. Não há shopping que não possua imensos estacionamentos, pois seus principais frequentadores são automobilistas que não andam de transportes coletivos. Do mesmo modo, há aqui a imagem de isolamento, de afastamento dos bairros onde estão localizados (uma parte dos shoppings procura se localizar junto a vias expressas, mas nem sempre isso se dá).
3. Na escala de uma cidade, no seu interior, podem ser encontradas redes geográficas de fato. Os núcleos formados por condomínios fechados e por shoppings centers (também centros empresariais diversos) que encontram na área densa, mas também nas franjas das cidades, em suas zonas periféricas, são os pontos de rede. As linhas são as vias cada vez mais preparadas para o uso automobilístico intenso. Uma cidade como São Paulo tem de fato redes geográficas cortando seu espaço.
Leitura e Análise de Texto
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1. Certamente, uma característica das redes geográficas, tanto uma rede geográfica na escala mundial como a de uma corporação transnacional, quanto uma rede geográfica no interior de uma cidade, é a de possuírem características de “negação” dos territórios do entorno. São fechadas, se relacionam o mínimo necessário com as localidades onde estão instaladas.
2. Os dados mostram o volume de circulação econômica no interior das redes das corporações, e qualquer pesquisa mostraria algo semelhante na circulação econômica no interior de uma rede geográfica no interior de uma cidade como São Paulo, por exemplo.
3. Não significa, por vezes até o contrário. As redes no interior das cidades costumam desagregar e enfraquecer o comércio de rua e também é comum a desvalorização dos
imóveis em razão do aumento do trânsito, do volume grande de áreas de estacionamento etc. Do mesmo modo, uma rede de corporação não tem automaticamente efeitos multiplicadores nas localidades onde se situam. O dado econômico mostra que não é nessas localidades que ela vai realizar grandes investimentos.
4. Faz sentido. Por vezes nega esses territórios (dos bairros, dos países onde estão situadas) e se transforma de fato num concorrente, como no caso citado do shopping.
LIÇÃO DE CASA
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1. Organizam-se em redes mundiais, isso está claro. Seus números econômicos comprovam essa ação. São montantes impossíveis de se obter na escala nacional. São valores extraídos do mundo inteiro. A sua força vai a ponto de ser capaz de influenciar governos que facilitam sua ação no interior de países.
2. Elas são atores muito importantes na cena internacional e na cena nacional de vários países. Por exemplo: muitos governos nacionais implementam políticas econômicas
visando atrair os capitais das corporações transnacionais para seus territórios. Fazem isso promovendo isenções fiscais (não cobram impostos), oferecendo terrenos, ajudas de infraestrutura (energia mais barata, por exemplo). Desse modo, uma corporaçã transnacional ao se instalar num país passa a ter muito poder de influência sobre os governos. O volume de pessoas empregadas nas empresas transnacionais é bem grande (54 milhões de pessoas) e corresponde à população de países importantes. Considerando 0que as transnacionais são aquelas que utilizam muita tecnologia em seus processos produtivos, e que essas tecnologias dispensam mão de obra, dá para se ter ideia do que são os volumes de produção e serviços gerados diretamente pelas corporações.
3. Alternativa c. O Brasil tem promovido, mais propriamente os Estados, uma série depolíticas de incentivos fiscais para atrair corporações transnacionais de vários ramos industriais. Um caso marcante é o das automobilísticas que se espalharam por Estados sem tradição industrial, com Goiás, por exemplo. Assim, ao contrário das alternativas que indicam dificuldades para ações das corporações transnacionais no Brasil, o país é um bom espaço para a ação dessas instituições.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 OS GRANDES FLUXOS DO COMÉRCIO MUNDIAL E A CONSTRUÇÃO DE UMA MALHA GLOBAL
Para começo de conversa
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a) Os fluxos de bens materiais e imateriais (mercadorias, pessoas e informações) no mundo contemporâneo circulam em maior intensidade, com muito mais velocidade e por isso alcançam distâncias bem maiores (na verdade encurtando distâncias). Essa situação pode ser designada como de aceleração de fluxos.
b) Alguns dos serviços modernos nas diversas escalas geográficas da vida (local, regional e mundial) se organizam em redes técnicas. Uma rede telefônica é um conjunto de linhas e estações de comutação (os pontos) que se distribui no mundo inteiro. Do mesmo modo, uma rede de abastecimento de água numa cidade, com as áreas de mananciais (estoque de água), as zonas de tratamento, os depósitos regionais (grandes caixas d’água), que são os pontos, e toda a rede de encanamentos (as linhas) por onde a água é bombeada.
c) A mesma lógica de uma rede técnica, porém espaços que se prestam à vida humana numa outra escala. São grupos humanos de moradores, são grandes atividades comerciais, grandes corporações transnacionais que constroem seus espaços em rede, percorrendo territórios com os quais estabelecem relações selecionadas, por vezes negando-os.
d) As corporações transnacionais são grandes conglomerados econômicos que atuam na escala mundial. No mundo contemporâneo adquiriram uma força descomunal. Sua atuação se estrutura em modalidades de espaços, que são verdadeiras redes geográficas. É razoável admitir que essas empresas não possuem mais nacionalidade alguma, que elas transcenderam os espaços nacionais.
PESQUISA EM GRUPO
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Sobre o mapa: são seis categorias de fluxos: 1. 533 bilhões; 2. 400 bilhões; 3. 300 bilhões; 4. 200 bilhões; 5. 100 bilhões; 6. 50 milhões. A proposta é que se chegue inicialmente à largura de seta de cada uma dessas categorias. É importante ressaltar que todas as setas devem ter a mesma cor. Isso porque elas estão indicando fluxos comerciais e não fluxos diferentes entre si.
533 bilhões → 1 cm
400 bilhões → 0,7 cm
300 bilhões → 0,5 cm
200 bilhões → 0,4 cm
100 bilhões → 0,2 cm
50 bilhões → 0,1 cm
Posteriormente nas localidades citadas deve se buscar um centro. Por exemplo: no caso da América do Sul e Central as setas devem ser direcionadas (e sair) para a altura da Venezuela. O ideal é fazer com lápis um círculo com traço leve no centro da localidade mencionada (da realizarão e nem é preciso destacar o quanto esse processo integral é produtivo na construção do conhecimento.
f) Espera-se que os estudantes sintam a intensidade dos fluxos comerciais que percorrem a escala mundial. E que notem Europa Ocidental, do Oriente Médio) e fazer com que todos os fluxos indicados na tabela cheguem a esses círculos. Mais uma vez, vale ressaltar que o resultado final não precisa ser do ponto de vista estético um primor. Atualmente um mapa como esse se faz com softwares sofisticados e os alunos farão à mão. Contudo, essa experiência é de grande relevância. Enquadra-se no conjunto das capacitações fundamentais, pois sem dúvida o domínio das linguagens visuais aí se enquadra. Na sequência os estudantes vão fazer análises a respeito do que podem ver na construção visual que as desigualdades nesses fluxos, não apenas no número de fluxos (que são mais numerosos entre Europa, América do Norte e Ásia), mas também no volume comercializado, algo notado na largura das setas. Que se imprima em suas retinas a geografia mundial desses fluxos.
2. Os fluxos mais importantes não são necessariamente os que percorrem menores distâncias. O maior dos fluxos – da Ásia para a América do Norte – comprova isso. Esse fato mostra o quanto as distâncias diminuíram, o quanto as diversas realidades se aproximaram. Vale notar, também, que a visão das distâncias anteriores era deformada. Estávamos habituados a ver fluxos para a América do Norte em mapas de projeções centradas no Equador; com isso, na representação os fluxos deveriam percorrer vastos oceanos. Com a projeção Buckminster Fuller a Ásia é bem mais próxima da América do Norte.
3. Não são esses os fluxos dominantes (países desenvolvidos → países subdesenvolvidos). Os dominantes são aqueles entre países desenvolvidos → países desenvolvidos, por exemplo: Europa Ocidental e América do Norte.
4. Destacam-se na Ásia o Japão, grande potência industrial com produtos de boa qualidade com aportes significativos de tecnologia, e a China, com sua maciça produção que deriva de transformações econômicas no regime socioeconômico daquele país, com uso impressionante de mão de obra barata, o que torna seus produtos muito competitivos no mundo. Além disso, outras economias poderosas estão se desenvolvendo, como no caso da Coreia do Sul. Esse extremo oriente da Ásia está se transformando no maior centro industrial do planeta.
LIÇÃO DE CASA
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1. Da América do Sul e Central para América do Norte verifica-se um fluxo de 100 bilhões de dólares. Não está entre os maiores fluxos comerciais, e isso fica claro visualmente. Aliás, essa região (a América do Sul e Central) participa pouco dos fluxos mundiais. Mas, especificamente esse em direção à América do Norte termina sendo maior que o inverso (da América do Norte para América do Sul e Central). A América do Norte compra muito petróleo da Venezuela e bens agrícolas do Brasil e da Argentina, ao passo que na América do Sul e Central não se importa tantos produtos dos americanos do norte. Porém, é preciso notar que há uma significativa produção de bens industriais de corporações transnacionais que têm origem nos EUA na América do Sul e Central. Os fluxos comerciais não dizem tudo sobre as lógicas entre as regiões. Do Oriente Médio para a Ásia registra-se um fluxo de 200 bilhões de dólares. Esse valor é constituído fundamentalmente pelo grande bem de exportação do Oriente Médio: o petróleo. A Ásia não é uma região em que esse meio energético natural esteja disponível, daí sua condição de importadora de petróleo. Qualquer um dos fluxos pode ser objeto de pequenas pesquisas. Esse tipo de ação vai familiarizando o estudante com a escala mundial, uma dimensão essencial de nossas vidas.
2. Não. Não se pode afirmar. Ele é ainda o grande protagonista desse comércio. Mas, especialmente como comprador. Os maiores fluxos do mundo dirigem-se a seu território. Da Ásia e da Europa Ocidental são quase 1 trilhão de dólares, valor difícil de imaginar. Esse valor serve para demonstrar por que a economia americana pesa na economia mundial e na crise atual. Se eles são os grandes compradores e agora estão em crise, obrigam todas as áreas do mundo a produzir menos, a lucrar menos. Mas, os EUA também são grandes produtores, embora estejam perdendo lugar como exportadores.
3. Alternativa a. De fato a América do Sul (e Central) exporta bens agrícolas e outros bens primários e os EUA são grandes consumidores desses bens vindos de todas as partes do mundo. No interior desse fluxo inclui-se o petróleo venezuelano. A alternativa b está errada, porque os EUA não compram petróleo brasileiro nem somos, ainda, exportadores importantes desse recurso energético.
4. Alternativa d. O Extremo Oriente atualmente é o grande centro produtor industrial do mundo. Seus bens são encontrados por todas as partes do mundo. A crise econômica que começou nos EUA vai afetar essa economia, em grande medida voltada para a exportação.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4 REGULAMENTAR OS FLUXOS ECONÔMICOS NA ESCALA MUNDIAL: É POSSÍVEL ENCONTRAR UM BEM COMUM
Para começo de conversa
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1. Uma das forças fundamentais da denominada ordem mundial são os Estados-nação, os países. As grandes corporações transnacionais também são forças significativas. Sabemos que os países possuem forças diferentes para atuar no cenário mundial. Os EUA são uma superpotência, alguns países europeus são potências, assim como alguns outros da Ásia. Essas potências diferentes implicam em desigualdade (alguns impõem seus interesses) nas trocas comerciais internacionais e em suas regras. Por isso, não se pode analisar o cenário econômico internacional como uma rede de relações harmoniosa e justa por definição. Os conflitos são vários.
2. No relacionamento entre os países a referência fundamental que cada governo leva em conta é o seu público interno, os interesses do seu país. O outro governante estará fazendo o mesmo. Não há um bem comum geral. Isso é algo não construído. Há o bem de cada país que não é o mesmo do outro.
3. Não, os fluxos comerciais entre os países não ocorrem livremente. Eles sofrem várias restrições conforme a situação. Se os governos querem proteger os industriais de seu país, por exemplo, eles “impõem impostos” aos bens industriais vindos de outros países, o que vai torná-los mais caros. Essas medidas são conhecidas como protecionismo e já geraram enormes conflitos, que chegaram mesmo à situação de confrontos bélicos. 4. Os fluxos comerciais já geraram grandes conflitos entre os países. Desacordo com relação a preços, a concorrência desleal, o uso de mão de obra barata são exemplos. Em reação, muitos países adotaram medidas protecionistas que, por sua vez, geram novos conflitos. No Brasil, os fluxos comerciais estrangeiros já foram (e são) alvos constantes de discussão. Uma parte importante do século XX foi marcada por uma restrição muito grande aos bens industriais estrangeiros, mais recentemente as restrições se abrandaram. Há muitos que pensam que isso fez mal ao Brasil, outros que isso foi um bem. É uma discussão complexa.
Leitura e Análise de Texto
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1. Trata-se do Banco Mundial. Congrega recursos de várias partes do mundo e eles são utilizados para financiar programas de importância social em países que possuem carências (educação, saúde, promoção social e profissional etc).
2. Trata-se do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele procura socorrer crises econômicas, situações de descontrole inflacionário (de desvalorização das moedas) etc. Recomenda para tal ações governamentais que seguem suas orientações. A questão é que estamos agora vivendo um período de crise econômica mundial, e muitos analistas admitem que as orientações do FMI de política econômica estão entre as responsáveis pelo agravamento da crise.
4. Barreiras alfandegárias são, na verdade, as restrições, tais como impostos elevados, exigências severas quanto às condições das mercadorias (certificados de saúde, de origem do trabalho realizado – por exemplo, pode haver barreiras alfandegárias a mercadorias que tenham usado mão de obra infantil, etc).
5. Trata-se da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ela atua para que o fluxo comercial entre os países seja regulado por acordos e regras gerais, visando a eliminação de barreiras alfandegárias impostas isoladamente pelos países, que sem coordenação e negociação mais amplas são geradoras de conflitos.
PESQUISA EM GRUPO
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2. Respostas curtas que vão ajudar a identificar as chaves de interpretação do texto
a) Na realidade, as desigualdades são muito grandes, o que pode ser constatado no mapa de fluxos comerciais no mundo.
b) Com certa igualdade econômica seria mais fácil chegar-se a tratados que visassem o bem comum. A desigualdade econômica gera interesses tão distintos que negociar acordos e tratados se transforma em tarefa mais espinhosa. Como uma nação muito mais poderosa que outras vai admitir abrir mão de interesses, se ela tem muito poder e a tentação em não ceder, em não compreender, é grande?. De todo modo há avanços nos tratados, regulando melhores os protecionismos. Mas há ainda muito o que fazer.
c) Parte importante da ação dos países na cena internacional ainda é movida pela lógica geopolítica. Quer dizer: na defesa dos interesses de cada país, vale, se for preciso, chegar à guerra. Os interesses dos países são soberanos e sempre superiores aos dos outros países. Com algo assim prevalecendo chegar aos conflitos, inclusive à guerra, é uma decorrência lógica. No entanto, pode-se identificar no horizonte a construção de novas possibilidades de relações internacionais, mais baseadas na política, nas decisões democráticas, nos tratados etc. De certo modo, está se construindo uma alternativa à geopolítica.
d) Há uma lógica imperando nas relações entre os países. Cada país somente leva em consideração seus próprios interesses, e está admitido como legítimo que nessa defesa ele pode chegar à guerra. O mundo funcionou assim e funciona ainda, em certa medida. Mas há mudanças no horizonte, e as instituições internacionais que organizam negociações e ajudas são indicativas disso.
3. Outra chave interpretativa
a) As motivações estão vinculadas aos graves conflitos que marcaram o século XX. Nas próprias primeiras declarações oficiais do GATT a afirmação que seu principal objetivo era evitar as guerras ficou nítida e que por isso se combateria o protecionismo.
b) Sem dúvida, há uma relação clara entre as relações comerciais (econômicas) e a geopolítica, pois graves conflitos (e estratégias geopolíticas mais amplas) estiveram vinculados aos interesses econômicos.
c) O protecionismo é a política de um país que claramente cria barreiras alfandegárias para proteger os produtores internos, por exemplo. Isso aparece como um ato hostil aos produtores e comerciantes estrangeiros, e por isso há aí, por definição, um componente conflituoso.
d) O ato de proteger seus mercados, seus produtores, pode parecer um ato defensivo contra a ação econômica de estrangeiros. No entanto, essa ação pode aparecer como um ato hostil contra o estrangeiro, mesmo porque é sempre provável que qualquer país protecionista já se sentiu hostilizado pelo protecionismo de outro.
e) Sem dúvida, as ações contemporâneas da União Europeia e dos EUA subsidiando seus produtores agrícolas para baratear seus produtos prejudicam as exportações dos países emergentes. Isso contraria os pressupostos filosóficos das organizações de escala mundial que agem para criar instâncias democráticas de decisão. Esse tipo de ação demonstra o quanto é difícil chegar a horizontes de bem comum.
) A despeito do protecionismo e de todos os conflitos que podem surgir nas relações comerciais internacionais, interessa às empresas, e às políticas econômicas dos países, estimular as atividades econômicas na escala global. Evidentemente, desse modo se tem acesso a mercados maiores, a negócios mais diversificados, a novos recursos tecnológicos etc. A força econômica vem disso e não da atuação em escalas geográficas mais restritas.
g) As atividades econômicas se fortalecem com mercados de escala mais ampla que a nacional. As empresas mais poderosas e os países mais ricos atuam para fortalecer suas economias nessa direção. No entanto, esse movimento se choca com os interesses nacionais, e é realmente uma fonte muito séria de conflitos. Essa é uma chave importante de interpretação do texto proposto e da ordem mundial.
Desafio!
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Nessa proposição trabalham-se duas situações hipotéticas e os alunos são convidados a tomar decisões que envolvem a questão do protecionismo. Não se fala em Brasil e sim em países imaginários. Isso favorece pensar na questão sem se deixar envolver por nacionalismos. Favorece pensar na questão friamente. O importante é o professor chamar a atenção do estudante para que uma medida protecionista que seja boa para um país, pode num segundo momento gerar como reação de outro país uma medida protecionista que será ruim. Isso serve para entender que é preciso enxergar mais longe do que apenas sobre os interesses imediatos. É preciso fazer concessões para se encontrar um bem comum na cena internacional, que deverá deixar de ser uma arena de lutas para ser um cenário de acordos e tratados. A grande dificuldade é a transição da política nacional de uma sociedade, para uma política internacional. Como um governo se justifica junto a seus eleitores que tomou decisões na esfera internacional que não atendam seus interesses imediatos? Esse é o pano de fundo que está pressuposto nesse desafio. Em termos operacionais é importante que os grupos construam respostas próprias, que eles entendam claramente o que está sendo pedido e o professor deve se assegurar disso. E também que os alunos sejam alertados que as decisões não se encerram nelas mesmas, elas implicam em consequências noutros momentos. Outra coisa fundamental é procurar socializar os resultados dos grupos para toda a classe e estimular o debate. Um debate sem ressentimento é algo difícil de ser obtido. Divergências em nossa cultura e no ambiente escolar se confundem com ofensas pessoais. O que é uma fragilidade de nossa sociabilidade, de nossa constituição democrática, de nossa cidadania. A complicação de nossas relações sociais (e pedagógicas) contém o germe do conflito descontrolado, tal como as discussões dos interesses econômicos na cena internacional
PESQUISA EM GRUPO
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A primeira parte do relatório vai obrigar uma sistematização de tudo o que foi discutido sobre as relações econômicas no plano internacional. Sobre as dificuldades, a natureza dos conflitos, o que está em jogo, a ascensão da escala mundial como campo de relações humanas que se choca com a escala nacional (os países) etc. Todas as outras atividades anteriores foram preparatórias e fornecem informações seguras e explicitam as lógicas fundamentais que estão movendo as relações internacionais. Há, assim, todas as condições para se chegar a relatórios próprios, pois esse é o grande objetivo. Que os estudantes saibam construir leituras próprias das realidades que eles vivem, direta ou indiretamente. É importante o professor chamar a atenção para que este momento opinativo deve ser exercido com a certeza do máximo de controle sobre o cenário internacional das relações econômicas, de suas complexidades e contradições. Não se deve opinar sem segurança, quer dizer, sem ter um controle razoável sobre o que se opina. É muito comum as pessoas opinarem sobre diversas questões com uma carga de informações e de reflexões muito baixa. Na escola, os estudantes devem ser orientados para a impertinência dessa postura.
LIÇÃO DE CASA
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1. O tema de redação proposto inverte uma lógica, que sempre admite que os conflitos são gerados por lados “certos” e por lados “errados”. Nada é tão óbvio assim. Em especial, no conjunto das relações econômicas do mundo contemporâneo. Os estudantes não são obrigados a concordar com essa afirmação, mas fazer uma redação com esse tema implica em dialogar com essa opinião, mesmo que seja para desmenti-la. Seja qual for a posição assumida pelo estudante é importante que ele seja orientado a argumentar; a defender com dados e informações seus pontos de vista. Esse exercício é fundamental (e deve ser realizado sempre) para que as reflexões e o discurso do estudante se ampliem.
2. Vivemos um mundo que, com o avanço das relações na escala global, cada vez mais precisa estruturar instâncias, fóruns e outras instituições para procurar as relações econômicas e de outros tipos. Além das já discutidas, como a OMC, o Banco Mundial, o FMI, existem outras: G-7 – Grupo informal constituído pelos 7 países mais ricos do mundo, que negociam regularmente – utilizando seu poder – os rumos da economia mundial. São eles: EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá. É positivo que esses países dividam responsabilidades, procurem acordos, mesmo que ainda não consigam olhar para os interesses de todos. G-20 – O Brasil é um dos líderes desse grupo, que vem se estruturando nas assembleias internacionais, como uma força que pretende dar voz a interesses que nem sempre o G-7 ouve. Os membros são os países emergentes, alguns com bom nível de desenvolvimento, como a Austrália, e outros de economia poderosa, como a China e o próprio Brasil. A Argentina, a Índia e vários outros países em desenvolvimento pertencem a esse grupo. Fórum Social Mundial – uma reunião de várias instituições governamentais e não governamentais que se apresenta como alternativa ao Fórum Econômico Mundial que em tese é menos crítico aos rumos da globalização. As reuniões do Fórum Social têm gerado manifestos críticos a favor de outras formas de globalização. O Brasil tem tido papel importante nessas reuniões. Várias delas foram realizadas em nosso território, nas cidades de Porto Alegre e de Belém, no Pará.
3. O principal sucesso dessas instituições está no fato de elas existirem. De se apresentarem como espaços para resolução mais civilizada de conflitos gerados nas relações econômicas internacionais e também de relações de outros tipos. Sem dúvida, há progressos nas negociações, mas há também obstáculos, impasses. Esses últimos têm sido enormes, mas mesmo assim são mais fáceis de serem enfrentados do que as guerras que marcaram a história da humanidade.
4. Esses organismos são: o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Há conflitos no interior da OMC, por exemplo, entre os países ricos que compõem o G-7 e os países que compõem o G-20. Há também conflitos entre os ricos, entre a União Europeia e os EUA.
5. Alternativa e. Infelizmente, a OMC não tem conseguido evitar os choques entre as grandes potências nem dar vazão a todos os interesses dos outros países. Mas ela existe para isso, e se continuar existindo será uma demonstração da busca da negociação, que certamente no futuro será mais eficaz.
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